Juros têm a nona alta seguida, com inflação subindo e país sem crescimento
17/03/2022, às 10:16:50
Taxa básica, que estava em 2% há pouco mais de um ano, agora chega a 11,75%, no maior nível desde 2017. Sem resultado
Perspectivas para a economia apontam para trajetória de alta da inflação e pouco ou nenhum crescimento em 2022 - Foto: Reprodução/Montagem RBA
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu a nona alta seguida da taxa básica de juros, a Selic. Desta vez, de um ponto percentual, para 11,75% ao ano, em linha com as expectativas do “mercado” e no maior nível em cinco anos. No início do ano passado, a Selic estava em 2% ao ano. Desde então, não parou mais de subir.
“A inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente”, afirma o Copom, em nota divulgada nesta quarta-feira (16), logo depois do encerramento dos dois dias de reunião. A duração do encontro foi acima da média. O resultado só saiu às 19h13. “O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários”, diz o colegiado, que já prevê novo aumento na mesma magnitude na próxima reunião, em 3 e 4 de maio.
Na ata da reunião anterior, o Copom havia sinalizado redução do ritmo de alta da taxa de juros. Mas fatores como a guerra entre Rússia e Ucrânia e o incessante aumento dos combustíveis vão causar impactos ainda imprevisíveis, mas certamente no sentido de piora das condições econômicas. “No cenário externo, o ambiente se deteriorou substancialmente. O conflito entre Rússia e Ucrânia levou a um aperto significativo das condições financeiras e aumento da incerteza em torno do cenário econômico mundial. Em particular, o choque de oferta decorrente do conflito tem o potencial de exacerbar as pressões inflacionárias que já vinham se acumulando tanto em economias emergentes quanto avançadas”, diz ainda a nota do Copom.