Em artigo, o coordenador nacional do FST apresenta os sucessivos fracassos das "reformas" que resultaram no aumento do desemprego, no declínio econômico e na piora dos indicadores sociais do país
por Oswaldo Augusto de Barros
Há quatro anos estamos sob a égide da Nova Norma Trabalhista, criada pela Lei 13.467 de 2017, quando muitos restaram satisfeitos, aplaudiam a modernidade e a promessa de criação de muitos novos postos de trabalho. Com tanta inovação, criaríamos condições da Economia dar sinais de crescimento, o que atrairia novos investimentos.
E? Nada aconteceu.
Na Emenda Constitucional 95, criaram-se barreiras para estimular a diminuição de gastos públicos, com o objetivo de investimentos federais a serem aplicados em obras públicas. Emenda aprovada e, como de costume, o que se viu foi, sim, uma economia para gerar recursos na busca de benefícios aos senhores parlamentares que votariam nos projetos governamentais.
Nada de obras, nada de empregos e muito menos a economia respondeu de modo favorável.
Junto com a EC 95 veio o fim da valorização do Salário Mínimo, com a desculpa de que onerava a folha dos municípios, dificultando o crescimento. Saúde, Educação e Segurança Pública começam a ver seus orçamentos minguarem e a precarização passa a afetar a própria população que vive de baixa renda e não consegue enfrentar a inflação, que dá sinais de crescimento.
Se antes a desculpa era o ônus deixado pelos governos de “Esquerda”, pouco ou nada de novo surgiu para que uma luz no horizonte iluminasse os caminhos do progresso. Com o surgimento da Pandemia, ao contrário do que se esperava, a participação do Governo foi pífia no sentido de minimizar o que já foi descrito.
Nada de novo e nada de concreto surgiram, enquanto os demais países sérios já se preparavam para o enfrentamento.
Com esse negacionismo, quer seja pandêmico, como na Economia, surge um fato novo que passa a desacreditar as teses do senhor Ministro da Fazenda, que o nosso problema são os salários e que os trabalhadores erram ao apoiar seus Sindicatos.
Governo, Congresso e até o Judiciário tomam posições drásticas quanto à vida econômica das entidades de classe.
Em meio à crise, alguns iluminados desses mesmos setores passam a notar que democracia sem Movimento Sindical fica manca e tudo passa a ser repensado, ou seja, estão sentindo na pele a burrice em ter apoiado tamanho absurdo.
Todo esse imbróglio culminou com a contraditória entrega do Prêmio Nobel Economia de 2021 para David Card, Joshua Angrist e Guido Imbens, por pesquisa de Mercado, com experimentos naturais, pioneiros entre os demais laureados em anos anteriores.
Os premiados demonstram em seu trabalho os efeitos do salário mínimo, da imigração e da Educação no mercado de trabalho.
Vamos acordar Brasil, parece que nosso caminho precisa ser repensado.
* O Professor Oswaldo Augusto de Barros é coordenador do FST, dirigente da NCST, presidente da CNTEEC e da FEPAAE